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Zero Trust: o fim definitivo do modelo de perímetro na segurança da informação

📅 Artigo Recente: Janeiro 2026

Por Oswaldo Souza — Tempo de leitura: 05 minutos


Modelo tradicional de segurança da informação baseado em perímetro corporativo
freepik.com/autor/rawpixel-com

O modelo de castelo e fosso: quando a segurança parecia simples


Quando comecei a estudar sobre segurança da informação, lá no final de 2015, a lógica dominante era quase ingênua. Bastava erguer um muro ao redor da rede corporativa, colocar um firewall poderoso na entrada e pronto: quem estivesse do lado de dentro era automaticamente considerado confiável. Havia um certo romantismo no modelo de castelo e fosso, algo que fazia sentido numa época em que tudo ficava dentro do data center e o expediente terminava às seis da tarde. Mas esse mundo acabou, embora muitos insistam em acreditar que ele ainda existe.


O perímetro desapareceu: nuvem, home office e ataques modernos


A transformação veio aos poucos, e quando percebemos já era tarde. A nuvem expandiu as fronteiras, o home office virou regra, dispositivos pessoais passaram a fazer parte da rotina de trabalho e ataques de supply chain se tornaram comuns. O perímetro, que antes servia como uma espécie de linha sagrada, simplesmente desapareceu. E hoje, muitos não conseguem nem enxergar onde termina sua rede e começa a do fornecedor.



Zero Trust: desconfiança como princípio, não como exagero


É nesse novo cenário que o Zero Trust aparece, não como moda passageira, mas como um reflexo inevitável da realidade. A ideia central é quase desconfortável: não confie em ninguém até que prove que merece confiança, e repita essa verificação continuamente. A origem do acesso deixa de ter relevância. Não importa se vem do datacenter, da VPN ou do celular do CEO durante uma viagem. Todo pedido é tratado como suspeito até que se mostre legítimo. Para alguns isso soa exagerado, mas depois de presenciar o impacto de ataques como SolarWinds e Colonial Pipeline, a prudência parece muito mais sensata do que a confiança automática.


Zero Trust exige maturidade, não apenas tecnologia

O que mais me chama atenção no Zero Trust é que ele obriga as empresas a evoluir em diversas frentes ao mesmo tempo. Não dá para vestir a fantasia de Zero Trust comprando uma solução moderna e achando que ela vai resolver tudo magicamente. É preciso fortalecer a identidade com MFA real, segmentar a rede em partes menores, monitorar comportamento continuamente, criptografar o que faz sentido e, acima de tudo, preparar as pessoas para uma nova mentalidade. Já acompanhei projetos tecnicamente impecáveis que nunca decolaram porque a alta gestão acreditava que exigir MFA do time de marketing era exagero. O problema é que, na prática, esses mesmos times costumam ser alvos favoritos de golpes de engenharia social, e o prejuízo costuma ser grande.



Arquitetura Zero Trust com autenticação contínua e microsegmentação
freepik.com/autor/dcstudio


Zero Trust não é produto, é arquitetura contínua

Sempre repito a mesma frase para os clientes: Zero Trust não é um produto, é uma arquitetura. Você não clica em “instalar Zero Trust” numa sexta-feira e vai para casa tranquilo. É um esforço contínuo que envolve pessoas, processos e tecnologia. Os modelos de referência mais usados, como o de maturidade da Microsoft e as diretrizes do CISA, reforçam a mesma sequência lógica: comece sabendo quais são seus ativos mais valiosos, identifique quem realmente precisa acessá-los e implemente controles alinhados a esse risco. Não é glamouroso e pode ser demorado, mas certamente é mais barato do que pagar o resgate de um ataque sofisticado.



O cenário brasileiro e o desafio da mentalidade antiga


No Brasil, esse movimento ganha contornos ainda mais interessantes. Vivemos uma mistura de regulamentações rigorosas com um cenário de ameaças que cresce ano após ano. Basta olhar para o volume de credenciais brasileiras expostas na deep web, números que assustam qualquer profissional do setor. A parte mais curiosa é que muitas empresas já possuem boa parte das ferramentas necessárias para iniciar uma jornada Zero Trust, mas continuam presas à mentalidade antiga porque ninguém se dedicou a orquestrar o quebra-cabeça.



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Preparando seus negócios online para a era do Zero Trust


Líderes de tecnologia precisam encarar uma realidade clara: o perímetro já não existe. A pergunta agora não é se um ataque vai acontecer, mas se a organização está preparada para limitar seus efeitos quando ele ocorrer. Zero Trust não é excesso de cautela — é maturidade operacional.




Limitar o impacto: o verdadeiro ganho do Zero Trust

O grande benefício do Zero Trust não é impedir que um ataque aconteça, porque isso é impossível. O ponto é limitar o impacto quando ele acontecer. Mais cedo ou mais tarde uma credencial será comprometida e alguém tentará se movimentar lateralmente pela rede. Em ambientes preparados, cada passo exige nova validação. Já vi ambientes onde o tempo médio para detectar atividades suspeitas caiu drasticamente após a implementação de microsegmentação e autenticação contínua. Isso faz diferença entre um incidente rapidamente contido e um desastre estampado nas manchetes.



Desafios reais e a pergunta que todo diretor precisa responder

É claro que há desafios. Licenciamento sobe, algumas aplicações legadas sofrem com latência e os usuários reclamam quando precisam confirmar a identidade com mais frequência. Mas, quando converso com diretores de tecnologia, gosto de fazer uma pergunta simples: quanto vale a tranquilidade de saber que um ataque direcionado ao financeiro, por exemplo, terá alcance limitado a poucos sistemas? A resposta, quase sempre, é que vale mais do que qualquer irritação momentânea.




Zero Trust como aliado do negócio, não obstáculo

A verdade é que estamos encerrando um período inteiro da segurança da informação e iniciando outro completamente diferente. Insistir cegamente no modelo de perímetro é o mesmo que tentar defender uma cidade moderna com muros medievais. Zero Trust não é promessa de futuro, é o presente de quem precisa sobreviver no cenário atual. E o mais interessante é perceber que, quanto mais madura a arquitetura, menos ela se parece com um regime de desconfiança. Quando tudo é validado de forma natural e constante, a sensação é de fluidez, e a segurança deixa de ser obstáculo para se tornar aliada do negócio.



Por onde começar a jornada Zero Trust


Se a sua empresa ainda não começou, inicie com passos pequenos. Defina claramente o que é mais valioso, implemente MFA sem exceções, reduza privilégios excessivos e monitore o comportamento dos usuários. Pode ser um caminho lento, mas é um caminho seguro. O castelo já não existe há muito tempo. Agora precisamos construir um ambiente onde cada componente faz a pergunta que realmente importa: quem é você e por qual motivo deveria ter acesso aqui?

 


Boa Leitura!


Oswaldo Souza

Oswaldo Souza

Especialista em IA e Defesa Cibernética | Professor e Pesquisador Científico | Profissional com mais de 10 anos de experiência em Tecnologia da Informação

Profissional com mais de 10 anos de experiência em Tecnologia da Informação, especialista em Defesa Cibernética, Inteligência Artificial e Gestão. Colunista, Professor e Pesquisador científico.


Portal Líderes - Equipe de Colunistas e Redatores - Conteúdo Especializado em Segurança Cibernética
Conteúdo produzido por especialistas em defesa cibernética e tecnologia

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