O impacto da IA na identificação de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro
📅 Artigo Recente Em Destaque: Janeiro 21/01/2026
Por Oswaldo Souza — Tempo de leitura: 04 à 05 minutos
Hoje, quando um cliente faz uma transferência de R$ 92.750,00 às 3h42 da manhã para uma conta recém-aberta em nome de uma empresa de “consultoria financeira” sediada em Recife, o sistema já não olha apenas valor, horário e limite de TED. Ele sabe que esse cliente nunca movimentou mais de R$ 12 mil de uma vez nos últimos cinco anos, que a empresa beneficiária foi constituída há 21 dias por um contador que já abriu outras 63 empresas com o mesmo endereço, que o dispositivo usado no Pix é novo, que o padrão de digitação mudou completamente e que, nas últimas 48 horas, o titular recebeu 27 mensagens de WhatsApp de números diferentes falando em “oportunidade de multiplicação rápida de capital”. Tudo isso é analisado em menos de três segundos. Se fosse regra estática, passaria batido. Com IA bem feita, o alerta vai direto para o time de investigações de alto risco e a transação é bloqueada antes do dinheiro sair.
Esse nível de precisão não caiu do céu. Ele é fruto de anos combinando machine learning supervisionado com dados históricos de fraude, modelos não supervisionados para detectar anomalias que ninguém ensinou o sistema a procurar, grafos de relacionamento que conectam CPFs, CNPJs e dispositivos, além de processamento de linguagem natural que lê mensagens, e-mails e até descrições de transações. O resultado é que a taxa de falsos positivos despencou e a de detecção real subiu tanto que algumas instituições já estão batendo 94, 95% de acerto em esquemas complexos de lavagem.
No combate à lavagem de dinheiro a diferença é ainda mais brutal. Os esquemas atuais são camadas sobre camadas: entram por contas de pagamento, passam por fintechs, viram cripto, compram NFTs ou bois em leilão rural, voltam como “lucro de exportação” e terminam em imóvel de luxo no nome da sogra do laranja. Um analista humano leva semanas, às vezes meses, para conectar tudo. Um modelo de graph neural network bem treinado faz isso em minutos e ainda entrega a lista de outras 40 contas que provavelmente pertencem à mesma organização criminosa.
A pressão regulatória no Brasil está acelerando tudo isso. Pix, Open Finance, real digital no horizonte: nunca houve tanto dado estruturado circulando em tempo real. A Circular 3.978, a Resolução 4.970, a IN 1.888 da Receita, tudo obriga as instituições a terem capacidade analítica avançada. Quem ainda faz PLD/FTF com planilha e regra de três está cavando a própria cova regulatória e financeira.
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O maior ganho, no fundo, é humano. Profissionais que antes passavam o dia matando falso positivo agora investigam de verdade, colaboram com polícia, ajudam a desmontar quadrilhas inteiras. É trabalho que dá orgulho. Já vi analistas de fraude que antes pensavam em mudar de área hoje animados discutindo precision-recall e feature drift como se fosse final de Copa do Mundo.
Estamos só no começo. Com Open Finance maduro, tokenização de ativos e o real digital chegando, o volume e a velocidade dos dados vão explodir. Quem dominar IA aplicada a prevenção de fraude e PLD não vai só evitar prejuízo, vai ganhar vantagem competitiva brutal. Porque confiança é o único ativo que o sistema financeiro não tem como perder. E hoje a IA, quando bem implementada, é a maior garantidora dessa confiança que existe.
Quem ainda acha que isso é modismo vai acordar um dia explicando para o Conselho e para o Banco Central como perdeu algumas centenas de milhões com uma fraude que a concorrência teria parado na largada. Eu prefiro estar do lado de quem já está construindo a solução.
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