Aquífero Guarani em Ribeirão Preto: pode garantir abastecimento até 2050
Aquífero Guarani pode garantir abastecimento de Ribeirão Preto até 2050, aponta estudo
Pesquisa apresentada pela Saerp estima capacidade sustentável de até 9 mil litros por segundo, mas condiciona a segurança hídrica à redistribuição dos poços, redução de perdas e monitoramento permanente.
Um estudo sobre o Sistema Aquífero Guarani indica que Ribeirão Preto poderá manter o manancial como principal fonte de abastecimento e acompanhar o crescimento da cidade até, pelo menos, 2050. A projeção, no entanto, depende de planejamento, redução das perdas de água e mudanças na localização das captações.
A pesquisa “Aquífero Guarani para o Futuro de Ribeirão Preto – Capacidade Máxima, Resiliência e Sustentabilidade” foi apresentada pela Secretaria de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Saerp) no dia 2 de setembro, durante reunião do Comitê da Bacia Hidrográfica do Pardo.
Coordenado pelo geólogo Ricardo Hirata, especialista em águas subterrâneas, o trabalho utilizou dados históricos, monitoramento de poços, modelagem tridimensional e projeções sobre o comportamento do aquífero nas próximas décadas.
Estudo estima captação sustentável de até 9 m³ por segundo
Segundo os pesquisadores, o Aquífero Guarani possui capacidade sustentável estimada em até 9 metros cúbicos de água por segundo. Esse volume corresponde a aproximadamente 9 mil litros por segundo.
As projeções apontam que o manancial pode atender à demanda atual e permitir uma ampliação de até 50% na captação. Essa possibilidade está condicionada, porém, a uma exploração distribuída de maneira mais equilibrada pelo território do município.
O resultado oferece à administração municipal uma base científica para planejar novos poços, definir volumes de retirada e direcionar investimentos na infraestrutura de abastecimento.
Isso não significa que Ribeirão Preto possa aumentar indiscriminadamente a extração de água. A capacidade identificada depende do cumprimento das medidas de gestão recomendadas pelo estudo.
Ribeirão Preto depende integralmente das águas subterrâneas
Ribeirão Preto possui uma relação direta com o Sistema Aquífero Guarani: todo o abastecimento público do município é proveniente de águas subterrâneas.
Essa dependência torna a preservação do manancial uma questão ambiental, social e econômica. A disponibilidade de água interfere na qualidade de vida da população, na expansão urbana e na capacidade da cidade de receber novos moradores, empresas e investimentos.
Diferentemente de municípios que combinam rios, represas e fontes subterrâneas, Ribeirão Preto mantém seu sistema público baseado na captação por poços profundos.
Por essa razão, compreender como o aquífero reage à retirada de água e como seus níveis podem se comportar ao longo do tempo é fundamental para evitar decisões baseadas apenas nas necessidades imediatas.
Concentração de poços provocou rebaixamento em áreas centrais
Um dos principais problemas identificados pela pesquisa está na distribuição histórica dos poços.
Durante décadas, parte significativa das captações ficou concentrada na região central de Ribeirão Preto. A retirada intensa de água em uma mesma área contribuiu para o rebaixamento gradual dos níveis subterrâneos.
O que acontece quando o nível do aquífero baixa?
O rebaixamento não significa necessariamente que toda a reserva esteja se esgotando. Ele pode ocorrer de maneira localizada quando vários poços retiram água de uma mesma região em volume superior à capacidade de recuperação naquele ponto.
Se o modelo atual for mantido sem ajustes, as simulações indicam risco de aprofundamento desse processo. Entre as possíveis consequências estão a redução da vazão, perda de produtividade dos poços e aumento dos custos necessários para captar e distribuir a água.
A solução indicada não é abandonar o Aquífero Guarani, mas reorganizar a exploração para aliviar as áreas submetidas a maior pressão.
Novos poços deverão ser distribuídos em áreas mais adequadas
A redistribuição das captações está entre as principais recomendações apresentadas pelos pesquisadores.
O planejamento prevê a redução gradual da retirada de água nas regiões mais exploradas e a implantação de novos poços em áreas periféricas consideradas tecnicamente mais adequadas.
As projeções mostram que esse deslocamento pode diminuir a pressão sobre a região central e preservar a capacidade produtiva do aquífero no longo prazo.
O estudo aponta que a mudança deverá ganhar importância principalmente a partir de 2035, quando o crescimento da cidade poderá aumentar a demanda pelo abastecimento.
Redução das perdas será decisiva para a segurança hídrica
A capacidade do aquífero é apenas uma parte da equação. Ribeirão Preto também precisará reduzir a quantidade de água perdida antes de chegar aos consumidores.
Essas perdas podem ser provocadas por vazamentos, rompimentos, ligações clandestinas, falhas de medição e deficiências na operação da rede.
O Ranking de Saneamento 2026 apontou que o índice de perdas de água de Ribeirão Preto caiu de 41,67% para 36,82%. Embora represente uma melhora, o resultado mostra que uma parcela significativa da água captada ainda não é efetivamente aproveitada.
Entre as ações em andamento está o Programa de Gestão e Controle de Perdas, que reúne iniciativas de combate a vazamentos, irregularidades e imprecisões na medição. A conclusão do programa está prevista para 2027.
Reduzir o desperdício permite atender mais moradores sem depender apenas da abertura de novos poços ou do aumento da retirada de água do aquífero.
Modernização da rede integra estratégia para o abastecimento
O estudo também recomenda ampliar a setorização da rede e priorizar a distribuição por gravidade.
Nesse modelo, a água captada é encaminhada aos reservatórios e depois distribuída com o auxílio da própria diferença de altura. A operação tende a reduzir a pressão sobre as tubulações, diminuir vazamentos e aumentar a estabilidade do abastecimento.
De acordo com a administração municipal, Ribeirão Preto possui 56 setores ativos de abastecimento. Desse total, 35 já operam por meio de reservatórios. A Prefeitura informa que 54% do sistema funciona no modelo de distribuição por gravidade.
A modernização deverá ser combinada à substituição de tubulações antigas, construção de reservatórios e instalação de novos registros e adutoras.
Monitoramento permitirá acompanhar a resposta do aquífero
A pesquisa deixa para o município um banco de dados hidrogeológicos e ferramentas digitais capazes de acompanhar o comportamento do Aquífero Guarani.
Durante o desenvolvimento do projeto, 30 poços estratégicos receberam equipamentos para medir os níveis de água e observar a recuperação do manancial após os períodos de bombeamento.
Essas informações alimentam modelos computacionais que ajudam a projetar diferentes cenários e avaliar os possíveis impactos de novos poços ou mudanças nos volumes de captação.
O monitoramento permanente será essencial para verificar se as projeções estão se confirmando e corrigir a estratégia sempre que houver alterações na demanda, no crescimento urbano ou nas condições climáticas.
O que o estudo muda para Ribeirão Preto?
A principal mudança está na forma de planejar o abastecimento.
Em vez de decidir a localização dos poços apenas quando surgirem problemas de falta de água, a cidade passa a contar com dados para antecipar demandas e avaliar os impactos de cada intervenção.
A pesquisa indica que o Aquífero Guarani continua sendo uma alternativa tecnicamente viável para Ribeirão Preto. Ao mesmo tempo, deixa claro que a preservação dessa capacidade dependerá de investimentos contínuos e de uma gestão mais eficiente.
A segurança hídrica projetada até 2050 estará diretamente ligada à capacidade do município de transformar as recomendações científicas em ações permanentes.
Perguntas frequentes sobre o Aquífero Guarani em Ribeirão Preto
Ribeirão Preto é totalmente abastecida pelo Aquífero Guarani?
Sim. Todo o abastecimento público de Ribeirão Preto é proveniente de águas subterrâneas associadas ao Sistema Aquífero Guarani.
O Aquífero Guarani poderá abastecer a cidade até 2050?
O estudo indica que o manancial possui capacidade para acompanhar a demanda projetada até, pelo menos, 2050. Isso depende de planejamento, redistribuição das captações, redução de perdas e monitoramento permanente.
Qual é a capacidade sustentável estimada?
Os pesquisadores estimaram uma capacidade de até 9 metros cúbicos por segundo, equivalente a aproximadamente 9 mil litros de água por segundo.
Por que o nível da água baixou na região central?
A concentração histórica de vários poços em uma mesma área aumentou a pressão sobre o aquífero e provocou um rebaixamento localizado dos níveis subterrâneos.
Quais medidas foram recomendadas?
Entre as principais medidas estão a instalação de poços em áreas mais adequadas, redução da captação nas regiões centrais, combate às perdas, setorização da rede, ampliação da distribuição por gravidade e monitoramento contínuo.
Fontes: Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto e Secretaria de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Saerp).
Fotos: Divulgação.


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